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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dicas e Roteiro para Machu Picchu

Muitas pessoas no Orkut ou que visitam meu blog já me pediram dicas sobre a viagem à Machu Picchu. Portanto, resolvi elaborar um texto com algumas anotações que realizei durante a viagem e com dicas que acredito ser úteis. Muitas dicas eu já tinha lido na internet e tiveram grande valia. Outras dicas eu elaborei com a experiência que tive ao viajar pela Bolívia e Peru.

Meu roteiro foi realizado em 15 dias de viagem e compreendeu os seguintes trechos: Goiânia / Corumbá / Puerto Quijarro / Santa Cruz de La Sierra / La Paz / Copacabana / Puno / Cusco / Águas Calientes / Machu Picchu / Águas Calientes / Cusco / La Paz / Santa Cruz de La Sierra / Puerto Quijarro / Corumbá / Goiânia. Este é o roteiro mais praticado pelos viajantes que têm Machu Picchu como destino, sendo também o mais simples e, geralmente, o mais barato. Pontuei, então, as considerações que achei mais relevantes sobre cada cidade. Segue:


- Corumbá é uma cidade bem cara e quente. Eu fiquei no Hotel Santa Rita, que fica no centro da cidade, na rua da igrejinha da praça. Muito bom hotel e com preço razoável. Mas pelo que eu li na net consegue-se hospedagens mais baratas em Puerto Quijarro. O pantanal é lindo e vale a pena dar uma passeada por Corumbá.

- Puerto Quijarro tem dois pólos comerciais bons para realização de compras: ao atravessar a fronteira, virando na primeira avenida a direita, há as feirinhas e lojinhas com muitas coisas baratas, principalmente roupas; a segunda opção é nos shoppings que ficam depois do terminal ferroviário, onde encontra-se muita coisa, como produtos eletrônicos, informática, perfumaria, calçados, roupas mais sofisticadas, artigos pra casa, bebidas etc. Entretanto, o que realmente compensa comprar em Quijarro são bebidas e perfumes, pois o restante é encontrado com preços mais acessíveis em La Paz.

- Em Quijarro, eu recomendo fazer câmbio, já que nas próximas cidades você encontrará valores mais baixos pelo Real. Eu troquei apenas 30 reais, com câmbio de 1 real = 3,95 bolivianos, numa tia que fica sentada no lado esquerdo da avenida, após a fronteira, em frente ao comércio. Mas cuidado com as notas falsas. Todo mundo mete medo sobre notas falsas, mas não é tão comum como as pessoas falam. Basta ver se a região onde está impresso o numero da nota é áspera e se a impressão é boa. É fácil identificar notas falsas.

- A melhor opção para não perder grana em câmbio é usar cartão de crédito internacional. Basta ter cartão internacional de crédito, débito ou ATM (Cartão pré-pago de viagem - Travel Money) que você pode sacar grana em moeda local ou dólar em diversos caixas eletrônicos, em qualquer cidade. No meu caso, eu tenho cartão Visa internacional e em todos os caixas eletrônicos conveniados à rede plus eu pude sacar grana. Mesmo com as taxas de saque e a porcentagem cobrada sobre o valor total sacado, você não perde tanto dinheiro como no caso de cambiar papel-moeda em bancos ou com pessoas.

- O trem da morte eu sei que tem ao meio dia e às 16 horas. O do meio dia é uma categoria inferior e mais barata, onde normalmente viaja a maioria dos bolivianos. Dizem que esse do meio dia é bem toscão. O das 16h é a categoria Super Pullman que é muito boa, possui poltronas reclináveis e confortáveis, ar condicionado, TV, vagão-restaurante e lanchonete. Nas paradas você ainda pode comprar de ambulantes. O super Pullman custa 115 bolivianos (pouco mais de 26 reais, considerando o câmbio oficial de 1 real = 4,4 bolivianos) tanto para o trecho Puerto Quijarro / Santa Cruz como para o trecho inverso.
- Santa Cruz é uma cidade interessante, mas fiquei somente 7 ou 8 horas na cidade. É a cidade mais cara da Bolívia, tendo em vista que é a região mais rica do país. Tudo em Santa Cruz é mais caro. Então, deixe para fazer compras em La Paz. Não deixe de conhecer a praça 24 de Setembro e seus arredores.

- Na Bolívia, de modo geral, as coisas são baratas, mas tudo é negociável. Pechinche ao máximo e jogue os preços lá embaixo que você consegue bons descontos. Taxi é muito barato e compensa. Cuidado com os bolivianos, pois eles adoram enrolar os clientes para voltar o troco, até esquecerem.

- Não sei os horários de Santa Cruz para La Paz e nem valores, pois fomos de ônibus fretado. Acredito que não passe de 30 reais. Mas sempre compre passagens diretamente nos terminais rodoviários, onde você encontrará passagens mais baratas. Muitas vezes os preços das passagens também são negociáveis. Os preços tendem a cair quando não conseguem lotar o ônibus e o mesmo já está quase na hora de partir.

- Não vi criminalidade em nenhum momento da viagem, mas recomendo ficar atento, pois existe muita pobreza, principalmente na Bolívia. Os centros urbanos são áreas de risco e de criminalidade como em qualquer metrópole brasileira.

- La Paz é uma cidade muito bacana. É a melhor cidade para se fazer compras, com exceção de artesanato, que você encontra mais barato e com mais variedade em Puno e Cusco. Produtos eletrônicos devem ser pesquisados, pois tem muita coisa com preços semelhantes ao do Brasil. Câmeras digitais e celulares são boas opções. Há uma rua chamada Eloy Salmon só com lojas de eletrônicos, onde se acha os melhores preços. Fiquei sabendo que no bairro Miraflores e na região alta de La Paz, chamada El Alto, também se acha coisas baratas. Roupas, calçados e outros você encontra nas proximidades da Plaza Murillo. Outro local interessante pra compras é a Calle de las Brujas (Rua das Bruxas). Em La Paz, não deixe de conhecer o Chacaltaya, Vale de La Luna e Tiwanaku. Infelizmente só conheci o Chacaltaya, já que fiquei por pouco tempo na cidade. Me hospedei no Hotel Condeza, que é excelente.

- Copacabana é uma cidade pequena e muito bonita. O Lago Titicaca é maravilhoso e me lembrou o Mar Egeu, na Grécia (pelo menos me lembrou filmes, fotos e livros que ilustram esse mar, já que não o conheço pessoalmente). Há ótimos bares e pubs em Copacabana, mas todos fecham cedo. Não deixe de comer a Truta (peixe) do lago. O passeio mais conhecido e indispensável é até a Isla del Sol, onde há ruínas da civilização Tiwanaku. Pode-se encontrar barcos para a ilha por até 30 bolivianos e a entrada na ilha custa 10 bolivianos. Normalmente os passeios saem às 8 e retornam as 14 ou 15 horas. O ideal é conhecer as ruínas do lado sul, subir as escadarias e fazer a trilha até a parte norte da ilha, onde ficam as principais ruínas e também um museu com peças dos Markapampas (antigos habitantes de uma ilha submersa). Fiquei no Hotel Mirador que é excelente e possui um vista deslumbrante para o Lago.

- Puno é muito legal. Infelizmente fiquei só uma hora na cidade e foi à noite. Lá possui pubs e bares legais e muito artesanato. Durante o dia você pode conhecer a Isla de Uros, que é uma ilha flutuante feita de totora (planta aquática comum no lago), e também os barcos e casas feitos desse mesmo material. Não há necessidade de pernoitar na cidade.

- Cusco é uma cidade fantástica e parece cidade européia. Fiquei apenas dois dias na cidade e foi muito corrido, não dando tempo de conhecer tudo o que eu queria. Na catedral, pode-se comprar um ticket por 25 soles (para estudante) que dá direito de conhecer a catedral, a Igreja da Companhia de Jesus, Igreja de San Blas e Museu de Arte Sacra. Não deixe de conhecer a Igreja e Convento de Santo Domingo, que foi edificada sobre o Templo Koricancha, o principal templo inca e que, segundo cronistas, possuía paredes recobertas com lâminas de ouro na época em que Cusco era capital do Império Tahuantinsuyo. Há várias agências de turismo que oferecem passeios para o entorno de Cusco por cerca de 60 a 70 soles, para visitar Ollantaytambo, Pisaq, Sacsayhuaman, Chichero, etc. Eu não fiz esses passeios porque já tava sem grana, mas alguns amigos meus foram e disseram que vale a pena. Pesquise preços de passeios nas agências, que normalmente ficam nas proximidades da Praça de Armas. O local mais barato para adquirir roupas e artesanato é em feiras e galerias de artesanato existentes abaixo dos correios da Rua El Sol. O mercado de artesanato mais importante também fica nessa rua, em frente a uma grande fonte com um símbolo inca em cima. Não se esqueça de pechinchar os preços e oferecer o valor que você acha justo pagar. As lojas próximas a Praça de Armas são as mais caras. Pinturas cusquenhas você encontra em San Blas. As boates não são tão imperdíveis como dizem por aí, mas são bons lugares para se conhecer pessoas legais. As melhorzinhas são a Mithology e a Mama África. Fiquei no Hotel Machu Picchu, que fica na Calle Q’era. Muito bom.

- Para ir até Machu Picchu existem várias formas: a mais tradicional é de trem, mas é a mais cara. Eu fui de ônibus até a hidrelétrica de Santa Teresa, onde peguei um trem até Águas Calientes. Paguei 66 dólares pelo transporte ida e volta, hospedagem em hotel simples em Águas Calientes e van até a entrada do parque. A entrada no parque custa 122 soles a inteira e estudante paga meia. A maneira mais barata de ir para Machu Picchu pode ser encontrada nessa comunidade do Orkut:
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=43859453


- Não se esqueça de levar repelente, pois há muitos mosquitos borrachudos em Machu Picchu. Se você é alérgico, leve um anti-alérgico injetável. Leve água e alimentos, pois as coisas na lanchonete do parque são um roubo. Aproveite para encher a garrafa d’água nas fontes do parque, pois a água é muito boa, não é salobra como as que você compra e ainda vem geladinha. Dizem que não é potável, mas é apenas um pretexto para os turistas comprarem água na lanchonete.

- Águas Calientes é uma cidade muito bonita, circundada por montanhas, mas não possui estrutura adequada para receber inúmeros turistas. Os hotéis quase sempre estão lotados. Há restaurantes e bares muito bons, mas quase todos são caros. Basta procurar que você encontra alguns com preço mais baixo. No mercado você encontra muita coisa legal.

De maneira geral, é importante ler bastante sobre os países, cidades, culturas e povos que serão conhecidos. Além de aprimorar seu conhecimento, você se sentirá bem mais seguro e aproveitará muito mais sua viagem. Leve mapas e roteiros com você. Outra ação importante é procurar os CATs (Centro de Apoio ao Turista) das cidades visitadas, onde pode-se obter mapas e informações atualizadas sobre os pontos turísticos. A maioria dos CATs estão localizados em rodoviárias, aeroportos e shopings. Além disso, as informações são gratuitas.

Espero que minhas dicas possam ajudar. Quem tiver sugestões ou críticas, mande-me por email: stormlordhp@hotmail.com. Dessa forma, poderei ampliar e reformular esse texto, o que facilitará ainda mais a vida de muitos mochileiros. Abraços.


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Machu Picchu 360 Graus

Continuando a série de postagens “empolgação Machu Picchu”, resolvi compartilhar um site muito legal que encontrei na net. Trata-se de um site com imagens em 360 graus de todos os setores do vale sagrado de Machu Picchu. Simplesmente uma aventura fantástica em que se pode conhecer toda a cidade, seus setores, suas construções e até o Wayna Picchu, aquela montanha que sempre vemos ao fundo de Machu Picchu, e tudo isso com a explicação de um guia virtual. O projeto, desenvolvido em parceria com o governo peruano, esboça um passeio pela Cidade Sagrada e nos permite conhecer um pouco mais sobre o modo de vida e as técnicas construtivas dos Incas. Para quem não terá o privilégio de conhecer Machu Picchu pessoalmente como eu, o site ajuda a suprir um pouco a curiosidade (lê-se ansiedade) de conhecer aquele lugar maravilhoso.

Visitem o site: http://www.mp360.com/index.php

Seguem alguns vídeos com imagens do Lago Titicaca, Montanha Chacaltaya, Vale De La Luna, Salar de Uyuni e Machu Picchu (com exceção de Salar de Uyuni, o restante faz parte do meu roteiro). "Hasta la vitória, siempre!"


Mochilão a Machu Picchu


Machu Picchu Parte I


Machu Picchu Parte II

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Machu Picchu: Programa de Índio?


Todos os dias eu me deparo com pessoas perguntando: Por que escolheu visitar Machu Picchu? Por que não vai para o Nordeste? Por que você não conhece o Brasil, que tem tantos lugares bonitos? Já que vai para o exterior, por que conhecer logo a Bolívia e o Peru? Não sei como tantas perguntas impertinentes me acontecem, mas para não parecer chato eu as respondo com certo grau de elegância.

Machu Picchu é, nada mais que, uma das sete maravilhas do mundo moderno, escolhida por milhões de votos em pesquisa mundial realizada pela internet no ano passado, ficando à frente até mesmo das pirâmides de Gizé, no Egito, da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, e da Torre Eifel, em Paris. Além disso, foi uma cidade sagrada da Civilização Inca que serviu de refúgio para imperadores e membros da nobreza inca, principalmente no século XVI, com a chegada dos espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, em Cuzco, a antiga capital inca. O vale sagrado de Machu Picchu permaneceu praticamente intocável ate 1911, quando o arqueólogo e historiador Hiram Bingham redescobriu a região. A cidade fica a 2400 metros de altitude, em meio a Cordilheira dos Andes, e foi construída com pedras que pesam toneladas e eram provenientes de outras regiões. O fato de a cidade ter sido construída com blocos de pedras encaixados perfeitamente sem nenhum tipo de “argamassa” numa região de tão difícil acesso já impressionaria qualquer pessoa. Entretanto, o que mais impressiona é que essas construções foram realizadas há mais de cinco séculos, sem o uso de tecnologia que dispomos hoje, por um povo que detinha avançados conhecimentos em arquitetura e astronomia. Enfim, a magia e beleza proporcionadas por Machu Picchu são incomparáveis.

Conheço algumas regiões do Nordeste brasileiro e posso afirmar que realmente temos um país com inúmeras belezas e possuímos um povo com diversificadas e ricas culturas. Mas, infelizmente, possuímos um governo passivo e impotente e que não cria incentivos para o turismo interno, o que nos leva a conhecer países vizinhos a um custo mais baixo que o próprio Brasil. Conheci Porto Seguro em janeiro deste ano e gastei em 9 dias quase a mesma quantia que irei gastar em 15 dias de viagem pela Bolívia e Peru. Eu vivo no Brasil, então a facilidade para conhecer meu país é muito maior e posso fazer isso em outras ocasiões. Já o vale sagrado de Machu Picchu corre risco de ser fechado para visitação devido ao turismo desenfreado e insustentável que vem sendo realizado na região nos últimos anos. O governo peruano precisa realizar um maior controle de visitação do vale sagrado, pois há turistas irresponsáveis e que depredam a região, que além de ponto turístico é também um importante sítio arqueológico.

A Bolívia e o Peru são dois países que compõem uma multiplicidade de culturas, mas que se resumem a um só continente, um só povo: os latino-americanos. Esses dois países, especificamente, são bem pobres economicamente, mas possuem os maiores índices de mestiços do continente e têm culturas riquíssimas, além de povos altamente hospitaleiros. Os belos lugares que pretendo conhecer, como o Rio Paraguai, Montanha Chacaltaya, Vale de La Luna, Tiahuanaco, Lago Titicaca, Isla Del Sol, Machu Picchu, entre outros, impressionam qualquer um e são de uma riqueza única.

Enfim, conhecer Machu Picchu não é somente conhecer a cidade sagrada dos Incas, é a realização de um sonho, de um objetivo que traço há anos. A magnitude de Machu Picchu é algo inexplicável, o contato com culturas distintas é uma experiência ímpar, respirar os ventos gelados que correm pela Cordilheira dos Andes e desfrutar de belezas naturais é algo que não tem preço.

Espero que seja uma viagem tão magnífica quanto meus sonhos. Vou até providenciar um diário de viagem para poder trocar experiências e postar no blog depois. Por enquanto, aguardo com ansiedade. Quem quer ir comigo?