Meu roteiro foi realizado em 15 dias de viagem e compreendeu os seguintes trechos: Goiânia / Corumbá / Puerto Quijarro / Santa Cruz de La Sierra / La Paz / Copacabana / Puno / Cusco / Águas Calientes / Machu Picchu / Águas Calientes / Cusco / La Paz / Santa Cruz de La Sierra / Puerto Quijarro / Corumbá / Goiânia. Este é o roteiro mais praticado pelos viajantes que têm Machu Picchu como destino, sendo também o mais simples e, geralmente, o mais barato. Pontuei, então, as considerações que achei mais relevantes sobre cada cidade. Segue:
- Puerto Quijarro tem dois pólos comerciais bons para realização de compras: ao atravessar a fronteira, virando na primeira avenida a direita, há as feirinhas e lojinhas com muitas coisas baratas, principalmente roupas; a segunda opção é nos shoppings que ficam depois do terminal ferroviário, onde encontra-se muita coisa, como produtos eletrônicos, informática, perfumaria, calçados, roupas mais sofisticadas, artigos pra casa, bebidas etc. Entretanto, o que realmente compensa comprar em Quijarro são bebidas e perfumes, pois o restante é encontrado com preços mais acessíveis em La Paz.
- Em Quijarro, eu recomendo fazer câmbio, já que nas próximas cidades você encontrará valores mais baixos pelo Real. Eu troquei apenas 30 reais, com câmbio de 1 real = 3,95 bolivianos, numa tia que fica sentada no lado esquerdo da avenida, após a fronteira, em frente ao comércio. Mas cuidado com as notas falsas. Todo mundo mete medo sobre notas falsas, mas não é tão comum como as pessoas falam. Basta ver se a região onde está impresso o numero da nota é áspera e se a impressão é boa. É fácil identificar notas falsas.
- A melhor opção para não perder grana em câmbio é usar cartão de crédito internacional. Basta ter cartão internacional de crédito, débito ou ATM (Cartão pré-pago de viagem - Travel Money) que você pode sacar grana em moeda local ou dólar em diversos caixas eletrônicos, em qualquer cidade. No meu caso, eu tenho cartão Visa internacional e em todos os caixas eletrônicos conveniados à rede plus eu pude sacar grana. Mesmo com as taxas de saque e a porcentagem cobrada sobre o valor total sacado, você não perde tanto dinheiro como no caso de cambiar papel-moeda em bancos ou com pessoas.
- O trem da morte eu sei que tem ao meio dia e às 16 horas. O do meio dia é uma categoria inferior e mais barata, onde normalmente viaja a maioria dos bolivianos. Dizem que esse do meio dia é bem toscão. O das 16h é a categoria Super Pullman que é muito boa, possui poltronas reclináveis e confortáveis, ar condicionado, TV, vagão-restaurante e lanchonete. Nas paradas você ainda pode comprar de ambulantes. O super Pullman custa 115 bolivianos (pouco mais de 26 reais, considerando o câmbio oficial de 1 real = 4,4 bolivianos) tanto para o trecho Puerto Quijarro / Santa Cruz como para o trecho inverso.
- Santa Cruz é uma cidade interessante, mas fiquei somente 7 ou 8 horas na cidade. É a cidade mais cara da Bolívia, tendo em vista que é a região mais rica do país. Tudo em Santa Cruz é mais caro. Então, deixe para fazer compras em La Paz. Não deixe de conhecer a praça 24 de Setembro e seus arredores.
- Na Bolívia, de modo geral, as coisas são baratas, mas tudo é negociável. Pechinche ao máximo e jogue os preços lá embaixo que você consegue bons descontos. Taxi é muito barato e compensa. Cuidado com os bolivianos, pois eles adoram enrolar os clientes para voltar o troco, até esquecerem.
- Não sei os horários de Santa Cruz para La Paz e nem valores, pois fomos de ônibus fretado. Acredito que não passe de 30 reais. Mas sempre compre passagens diretamente nos terminais rodoviários, onde você encontrará passagens mais baratas. Muitas vezes os preços das passagens também são negociáveis. Os preços tendem a cair quando não conseguem lotar o ônibus e o mesmo já está quase na hora de partir.
- Não vi criminalidade em nenhum momento da viagem, mas recomendo ficar atento, pois existe muita pobreza, principalmente na Bolívia. Os centros urbanos são áreas de risco e de criminalidade como em qualquer metrópole brasileira.
- La Paz é uma cidade muito bacana. É a melhor cidade para se fazer compras, com exceção de artesanato, que você encontra mais barato e com mais variedade em Puno e Cusco. Produtos eletrônicos devem ser pesquisados, pois tem muita coisa com preços semelhantes ao do Brasil. Câmeras digitais e celulares são boas opções. Há uma rua chamada Eloy Salmon só com lojas de eletrônicos, onde se acha os melhores preços. Fiquei sabendo que no bairro Miraflores e na região alta de La Paz, chamada El Alto, também se acha coisas baratas. Roupas, calçados e outros você encontra nas proximidades da Plaza Murillo. Outro local interessante pra compras é a Calle de las Brujas (Rua das Bruxas). Em La Paz, não deixe de conhecer o Chacaltaya, Vale de La Luna e Tiwanaku. Infelizmente só conheci o Chacaltaya, já que fiquei por pouco tempo na cidade. Me hospedei no Hotel Condeza, que é excelente.
- Copacabana é uma cidade pequena e muito bonita. O Lago Titicaca é maravilhoso e me lembrou o Mar Egeu, na Grécia (pelo menos me lembrou filmes, fotos e livros que ilustram esse mar, já que não o conheço pessoalmente). Há ótimos bares e pubs em Copacabana, mas todos fecham cedo. Não deixe de comer a Truta (peixe) do lago. O passeio mais conhecido e indispensável é até a Isla del Sol, onde há ruínas da civilização Tiwanaku. Pode-se encontrar barcos para a ilha por até 30 bolivianos e a entrada na ilha custa 10 bolivianos. Normalmente os passeios saem às 8 e retornam as 14 ou 15 horas. O ideal é conhecer as ruínas do lado sul, subir as escadarias e fazer a trilha até a parte norte da ilha, onde ficam as principais ruínas e também um museu com peças dos Markapampas (antigos habitantes de uma ilha submersa). Fiquei no Hotel Mirador que é excelente e possui um vista deslumbrante para o Lago.
- Puno é muito legal. Infelizmente fiquei só uma hora na cidade e foi à noite. Lá possui pubs e bares legais e muito artesanato. Durante o dia você pode conhecer a Isla de Uros, que é uma ilha flutuante feita de totora (planta aquática comum no lago), e também os barcos e casas feitos desse mesmo material. Não há necessidade de pernoitar na cidade.
- Cusco é uma cidade fantástica e parece cidade européia. Fiquei apenas dois dias na cidade e foi muito corrido, não dando tempo de conhecer tudo o que eu queria. Na catedral, pode-se comprar um ticket por 25 soles (para estudante) que dá direito de conhecer a catedral, a Igreja da Companhia de Jesus, Igreja de San Blas e Museu de Arte Sacra. Não deixe de conhecer a Igreja e Convento de Santo Domingo, que foi edificada sobre o Templo Koricancha, o principal templo inca e que, segundo cronistas, possuía paredes recobertas com lâminas de ouro na época em que Cusco era capital do Império Tahuantinsuyo. Há várias agências de turismo que oferecem passeios para o entorno de Cusco por cerca de 60 a 70 soles, para visitar Ollantaytambo, Pisaq, Sacsayhuaman, Chichero, etc. Eu não fiz esses passeios porque já tava sem grana, mas alguns amigos meus foram e disseram que vale a pena. Pesquise preços de passeios nas agências, que normalmente ficam nas proximidades da Praça de Armas. O local mais barato para adquirir roupas e artesanato é em feiras e galerias de artesanato existentes abaixo dos correios da Rua El Sol. O mercado de artesanato mais importante também fica nessa rua, em frente a uma grande fonte com um símbolo inca em cima. Não se esqueça de pechinchar os preços e oferecer o valor que você acha justo pagar. As lojas próximas a Praça de Armas são as mais caras. Pinturas cusquenhas você encontra em San Blas. As boates não são tão imperdíveis como dizem por aí, mas são bons lugares para se conhecer pessoas legais. As melhorzinhas são a Mithology e a Mama África. Fiquei no Hotel Machu Picchu, que fica na Calle Q’era. Muito bom.
- Para ir até Machu Picchu existem várias formas: a mais tradicional é de trem, mas é a mais cara. Eu fui de ônibus até a hidrelétrica de Santa Teresa, onde peguei um trem até Águas Calientes. Paguei 66 dólares pelo transporte ida e volta, hospedagem em hotel simples em Águas Calientes e van até a entrada do parque. A entrada no parque custa 122 soles a inteira e estudante paga meia. A maneira mais barata de ir para Machu Picchu pode ser encontrada nessa comunidade do Orkut:
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=43859453
- Águas Calientes é uma cidade muito bonita, circundada por montanhas, mas não possui estrutura adequada para receber inúmeros turistas. Os hotéis quase sempre estão lotados. Há restaurantes e bares muito bons, mas quase todos são caros. Basta procurar que você encontra alguns com preço mais baixo. No mercado você encontra muita coisa legal.
De maneira geral, é importante ler bastante sobre os países, cidades, culturas e povos que serão conhecidos. Além de aprimorar seu conhecimento, você se sentirá bem mais seguro e aproveitará muito mais sua viagem. Leve mapas e roteiros com você. Outra ação importante é procurar os CATs (Centro de Apoio ao Turista) das cidades visitadas, onde pode-se obter mapas e informações atualizadas sobre os pontos turísticos. A maioria dos CATs estão localizados em rodoviárias, aeroportos e shopings. Além disso, as informações são gratuitas.
Espero que minhas dicas possam ajudar. Quem tiver sugestões ou críticas, mande-me por email: stormlordhp@hotmail.com. Dessa forma, poderei ampliar e reformular esse texto, o que facilitará ainda mais a vida de muitos mochileiros. Abraços.
