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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Jogo do Mc Donald's


O que você pensou quando viu a foto com esse “M”? É uma imagem bem familiar, e garanto que todos pensaram a mesma coisa ao ver o tal logotipo. Quando nos deparamos com esse enorme “M” a primeira coisa da qual nos lembramos é do Mc Donald’s.

Caracterizado como a maior rede de fast-food do mundo, o Mc Donald’s está espalhado pelo globo, sendo responsável pela venda de milhões de hambúrgueres diariamente e, juntamente com a Coca-Cola, é considerado um dos mais famosos símbolos do capitalismo internacional. No Brasil desde 1979, a rede contribui intrinsecamente para o aumento de hábitos consumistas e para a disseminação do american way of life no cotidiano dos brasileiros.

Além de uma notável marca, o Mc Donald’s também tem sido alvo de muitas críticas ao longo dos anos: Seus produtos causam inúmeros danos ecológicos, principalmente devido ao excesso de embalagens descartáveis e às grandes áreas de pastagens utilizadas na produção de gado para o abate; a comida não é saudável, tendo elevado nível de gordura e açúcar; a marca tem um apelo às crianças com o palhaço Ronald McDonald e outros personagens, atraindo-as e condicionando-as ao consumo dos lanches e criando hábitos não saudáveis que tendem a se manter com a idade; é o maior representante do fast-food, hábito de consumo que está entre as causas do grave problema da obesidade no mundo; é um notório modelo de corporação capitalista, que recebe forte oposição de grupos políticos e sociais que defendem outro sistema; etc.

Com base nessas críticas, resolvi postar um pequeno jogo feito em flash que recebi de um amigo. O jogo se chama Mc Donald’s Videogame e é divido em três etapas: produção, vendas e gerenciamento.

Na linha de produção, o objetivo é comprar grandes propriedades de terra para o confinamento do gado e para a produção de soja, que compõem a base dos produtos da empresa. Às vezes é necessário plantar soja transgênica, desmatar florestas, destruir aldeias ou até mesmo comprar terras públicas para suprir a demanda produtiva. Quanto ao gado, hormônios, resíduos industriais e até mesmo restos animais podem ser adicionados à forragem. Tudo para manter uma elevada produtividade. É necessário apenas manter um equilíbrio na produção, para evitar que o gado fique doente e se produza hambúrgueres contaminados.

Para vender, é necessário, antes de tudo, contratar funcionários responsáveis pela montagem e venda dos lanches. Eles podem ficar insatisfeitos com o acelerado e desumano ritmo de trabalho. Talvez seja necessário incentivá-los, premiá-los, discipliná-los ou, em último caso, demiti-los, correndo o risco de enfrentar greves e problemas com o sindicato.

A parte mais difícil do jogo é gerenciar a produção e as vendas. Nem sempre as vendas são boas e, muitas vezes, é necessário fazer investimentos em marketing, como lançar campanhas sociais, campanhas para crianças ou até fazer acordos com a Disney. Quando tudo parece funcionar na normalidade, ambientalistas, agentes de saúde, políticos ou grupos contra a obesidade podem atrapalhar o andamento da empresa, sendo necessário suborná-los. Se a corporação não cresce o bastante ou diminui o ritmo de crescimento, seu consultor de negócios pode ficar furioso e pegar no seu pé.

O objetivo principal do jogo é elevar cada vez mais a produção e as vendas, fazendo com que o contador aumente. Mas é preciso ter cuidado para não levar o Mc Donald’s à falência.

O mais divertido do jogo é a forte crítica proposta pelos seus idealizadores à rede de fast-food. Os confinamentos, os desmatamentos, as cruéis técnicas de abate do gado, o acelerado ritmo de produção, as campanhas publicitárias, a insatisfação dos funcionários... Em suma, tudo é colocado em xeque. Gostei do jogo porque ele mostra, sem sensacionalismo, como funciona uma das maiores corporações do mundo: O Mc Donald’s. Vale a pena jogar.

O jogo tem pouco mais de 2mb e pode ser baixado no link:
http://www.badongo.com/file/11637059
ou jogado diretamente no site:
http://gratisjogos.uol.com.br/jogosgratis/estrategia/mc-donalds/index2.php

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Consumo sustentável


A abundância dos bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema industrial, é considerada, freqüentemente, um símbolo do sucesso das economias capitalistas modernas. No entanto, esta abundância passou a receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais modernas.

Os bens, em todas as culturas, funcionam como manifestação concreta dos valores e da posição social de seus usuários. Na atividade de consumo se desenvolvem as identidades sociais e sentimos que pertencemos a um grupo e que fazemos parte de redes sociais. O consumo envolve também coesão social, produção e reprodução de valores. Desta forma, não é uma atividade neutra, individual e despolitizada. Ao contrário, trata-se de uma atividade que envolve a tomada de decisões políticas e morais praticamente todos os dias. Quando consumimos, de certa forma manifestamos a forma como vemos o mundo. Há, portanto, uma conexão entre valores éticos, escolhas políticas, visões sobre a natureza e comportamentos relacionados às atividades de consumo.

No entanto, com a expansão da sociedade de consumo, amplamente influenciada pelo estilo de vida norte-americano, o consumo se transformou em uma compulsão e um vício, estimulados pelas forças do mercado, da moda e da propaganda. A sociedade de consumo produz carências e desejos (materiais e simbólicos) incessantemente. Os indivíduos passam a ser reconhecidos, avaliados e julgados por aquilo que consomem, aquilo que vestem ou calçam, pelo carro e pelo telefone celular que exibem em público. O próprio indivíduo passa a se auto-avaliar pelo que tem e pelo que consome. Mas é muito difícil estabelecer o limite entre consumo e consumismo, pois a definição de necessidades básicas e supérfluas está intimamente ligada às características culturais da sociedade e do grupo a que pertencemos. O que é básico para uns pode ser supérfluo para outros e vice-versa.

A felicidade e a qualidade de vida têm sido cada vez mais associadas e reduzidas às conquistas materiais. Isto acaba levando a um ciclo vicioso, em que o indivíduo trabalha para manter e ostentar um nível de consumo, reduzindo o tempo dedicado ao lazer e a outras atividades e relações sociais. Até mesmo o tempo livre e a felicidade se tornam mercadorias que alimentam este ciclo. Em suas atividades de consumo, os indivíduos acabam agindo centrados em si mesmos, sem se preocupar com as conseqüências de suas escolhas. O cidadão é reduzido ao papel de consumidor, sendo cobrado por uma espécie de “obrigação moral e cívica de consumir”.

Mas se nossas identidades se definem também pelo consumo, poderíamos vincular o exercício da cidadania e a participação política às atividades de consumo, já que é nestas atividades que sentimos que pertencemos e que fazemos parte de redes sociais.

O consumo é o lugar onde os conflitos entre as classes, originados pela participação desigual na estrutura produtiva, ganham continuidade, através da desigualdade na distribuição e apropriação dos bens. Assim, consumir é participar de um cenário de disputas pelo que a sociedade produz e pelos modos de usá-lo. Sob certas condições, o consumo pode se tornar uma transação politizada, na medida em que incorpora a consciência das relações de classe envolvidas nas relações de produção e promove ações coletivas na esfera pública.

A idéia de um consumo sustentável, portanto, não se limita a mudanças comportamentais de consumidores individuais ou, ainda, a mudanças tecnológicas de produtos e serviços para atender a este novo nicho de mercado. Apesar disso, não deixa de enfatizar o papel dos consumidores, porém priorizando suas ações, individuais ou coletivas, enquanto práticas políticas. Neste sentido, é necessário envolver o processo de formulação e implementação de políticas públicas e o fortalecimento dos movimentos sociais.

O consumo tornou-se um lugar onde é difícil “pensar” por causa da sua subordinação às forças de mercado. Mas os consumidores não são necessariamente alienados e manipulados. Ao contrário, o consumidor também pode ser crítico, “virando o feitiço contra o feiticeiro”. O consumidor “também pensa” e pode optar por ser um cidadão ético, consciente e responsável. Podemos atuar de forma subordinada aos interesses do mercado, ou podemos ser insubmissos às regras impostas de fora, erguendo-nos como cidadãos e desafiando os mandamentos do mercado. Se o consumo pode nos levar a um desinteresse pelos problemas coletivos, pode nos levar também a novas formas de associação, de ação política, de lutas sociais e reivindicação de novos direitos

Consumir exige responsabilidade. Somente com a conscientização do indivíduo, políticas públicas sustentáveis, e ações sociais, poderemos construir um mundo mais humano e ético. Devemos impor nossas regras e não deixar que as relações de consumo prevaleçam em nossa sociedade. É necessário mudarmos rapidamente nossa forma de agir, se não quisermos ser vítimas da auto-destruição humana.