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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Avanços e Impasses da Democracia no Brasil



 Por Itami Campos

Falar em democracia é um tanto difícil, pois os conceitos e referências são diversos, além de existirem expectativas diferentes quanto aos resultados de um regime democrático. Embora seja o ideal democrático algo a se concretizar, torna-se possível trabalhar a realidade e os processos sociais e políticos que apontam na direção de um regime democrático. Neste sentido, o Estado de Direito, as liberdades individuais e os processos políticos apresentam-se como eixos em que se assentam a democracia.
Para Norberto Bobbio, democracia pode ser caracterizada por um conjunto de regras que estabelece quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais procedimentos. No mundo moderno, as Constituições definem e estabelecem esse conjunto de regras. Embora isso aponte um rumo, há imprecisões, pois mesmo os regimes autocráticos forjam suas Constituições e estabelecem suas regras.
Por isso, o direito à liberdade, inerente aos indivíduos e não concedida, vai ser o substrato do Estado de Direito que assegura a forma democrática de governo. No caso brasileiro, o movimento contra a ditadura nos anos 1970 e 1980 foi fundamental para que a liberdade fosse assegurada ao mesmo tempo em que se amplia a cidadania.
Com base nestas considerações é que se pode afirmar que foram muitos os avanços institucionais nesses 25 anos desde o colapso do regime militar em 1985. As Diretas Já e a Nova República apontaram nova direção. Contudo, a instabilidade institucional perdurava sob uma economia inflacionária e em permanente crise. A estabilidade trazida pelo Plano Real em 1993, no governo Itamar Franco, e mantida nos mandatos de FHC e Lula, foi fundamental para a democracia no Brasil.
Além disso, o alargamento da participação política, haja vista que são mais de 130 milhões de eleitores, a incorporação de novos segmentos sociais no mercado e na vida política fortaleceram a base social da política brasileira.
Não se pode considerar que se vive no melhor dos mundos. A desigualdade é muita e tem-se muito a caminhar para superar a miséria e a pobreza. A educação no Brasil é deficiente, além de não abranger toda a população, não qualifica para as exigências da atualidade. A saúde é também precária. Embora o SUS seja considerado uma política pública avançada, são muitos os problemas de saúde que o povo brasileiro enfrenta. Faltam recursos e condições para a universalização da saúde pública. A segurança pública exige soluções e políticas inovadoras, além da militarização de setores da sociedade.
As reformas políticas poderiam ajudar na correção dos muitos problemas políticos que estão aí a olhos vistos. A representação política, a estruturação partidária e o sistema eleitoral demandam mudanças que o governo e o Congresso recusam-se a encaminhar. Interesses consagrados dificultam e mesmo impedem qualquer proposta ousada e necessária para corrigir os desvios da política brasileira. As últimas alterações mais consequentes partiram da Justiça, do STJ e do TSE, já que os legisladores mantêm-se indiferentes às mazelas na política brasileira.
Talvez, um dos maiores problemas que se apresenta neste caminho seja a corrupção. A impunidade e a lentidão na punição dos envolvidos em corrupção apresentam-se como estímulo para mais envolvimentos de políticos e governantes em desvios de recursos públicos, superfaturamento de obras e coisas correlatas. Além da impunidade, a forma de financiamento de campanhas políticas parece estimular os desvios de recursos para caixas dois. A própria Justiça Eleitoral se manifesta sem condições de interditar e punir os frequentes atos de corrupção.
As denúncias de improbidade, desvios de recursos públicos, superfaturamento de obras e tantas outras formas de corrupção repercutem de forma negativa na política. Em primeiro lugar, pela generalização de que toda atividade de governo e de que todo político sejam corruptos. Depois, fazendo escola, ou seja, estimulando o mau-caratismo como conduta na política. Daí o desestímulo de participar ativamente da política e mesmo a rejeição a quaisquer envolvimentos na política. Assim, muitos são os questionamentos sobre o caráter republicano do Estado brasileiro.
O viés patrimonialista persiste, pois governantes e administradores públicos quase sempre se conduzem como se fossem donos dos bens e recursos que lhes cabem gerir. Esses são obstáculos que a democracia enfrenta no Brasil.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Botequim: Palco de Cultura, Refúgio e Resistência... e de História



Quem nunca criou ou ouviu uma filosofia de botequim? Então, ao menos, compartilhou estórias, discutiu política e presenciou cenas hilárias num boteco? Esse ambiente de socialização e diversão dos dias atuais também já foi importante palco da história do Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX, durante a belle époque. O livro de Sidney Chalhoub, Trabalho Lar e Botequim, escrito a partir da análise de relatos policiais e processos criminais, é um delicioso aperitivo pra quem deseja conhecer o cotidiano dos botequins cariocas e seu papel na formação da cultura popular.
A obra de Chalhoub trata, fundamentalmente, da constituição de uma nova ordem social durante os primeiros anos da República Velha no Rio de Janeiro, pautada, sobretudo, no lazer popular da classe trabalhadora, nas ruas, nos botequins e na repressão policial. O título de um dos capítulos, “matando o bicho e resistindo aos meganhas”, demonstra claramente os costumes populares em tomar pinga e resistir aos policiais da capital federal no início do século XX, além de abordar as rivalidades étnicas e nacionais arraigadas na mentalidade popular.
        Segundo Sidney Chalhoub, a maior integração do Brasil à economia capitalista, especialmente após a emancipação dos escravos e o advento da República, contribuiu intrinsecamente para a modificação da sociedade carioca no início do século passado, principalmente com o aumento das exportações de café. A partir daquele momento, a antiga capital federal se tornou um grande centro cosmopolita intimamente ligado à produção e ao comércio europeu e americano. Esse fato fez com que o prefeito da velha capital, Pereira Passos (1902 - 1906), em parceria com o presidente Rodrigues Alves (1902 - 1906), adotasse uma estrutura de poder caracterizada por um cosmopolitismo desmedido e agressivo ao realizar a revitalização e urbanização do centro do Rio de Janeiro, alargando avenidas, demolindo cortiços e expulsando a população pobre para as periferias. Enfim, a adoção de padrões europeus e elevação da burguesia comercial começaram a fazer parte da nova organização social carioca.
        A elite da capital pretendia não só impor mudanças de ordem material, mas criar um novo modo de vida urbano, baseado na sociedade parisiense, desconsiderando os valores culturais dos setores menos favorecidos da sociedade. Nesse sentido, os policiais, caracterizados por Chalhoub como “meganhas”, tiveram papel fundamental na instauração da “ordem”, corroborando a imposição do assalariamento ao trabalhador pela vigilância constante do aparato policial. Eram considerados vadios todos aqueles que se encontravam nos botequins e nas ruas, e não conseguiam provar sua condição de trabalhadores.
        Entretanto, segundo relatos pontuados por Chalhoub, os meganhas não estavam nas ruas para arbitrar os conflitos, mas para reprimir os pobres. Era comum o forjamento de declarações nos inquéritos pelos policiais a fim de incriminar humildes trabalhadores. Isso gerava uma falta de confiança na imparcialidade da justiça. Por esta razão, os populares resistiam às autoridades policiais e acreditavam que estes atendiam a interesses plenamente burgueses.
        Para muitos populares, o trabalho e o lazer se misturavam e, por isso, o botequim se caracterizava como campo onde eram vividos conflitos e tensões cotidianos. Dessa forma, os populares envolvidos em processos judiciais sempre procuravam se justificar como humildes trabalhadores e chefes de família. Porém, essas ações nem sempre eram aceitas pela justiça, que era um órgão que representava os interesses do governo republicano e da alta sociedade.
        O autor condena a imposição dos padrões de comportamento da classe dominante aos populares. Chalhoub procura, ainda, demonstrar que a desconfiança dos populares em relação aos policiais teve um sentido cultural e enraizado no modo de vida da classe trabalhadora: eles tinham suas próprias normas e noções de justiça.
        O botequim era como um “observatório popular”, sendo um ponto privilegiado para estudo dos padrões de comportamento do povo. Dessa maneira, o boteco era palco de rixas desencadeadas pelos três pilares analisados no livro de Chalhoub: o trabalho, o amor e o lazer. Esses conflitos eram resultados da cultura de homens comuns e que agiam de acordo com regras de conduta preestabelecida, pautadas principalmente no machismo e no etnocentrismo.
        Finalmente, podemos identificar claramente a posição de Chalhoub em relação aos vencidos (populares), ao mostrar como ocorreu a formação de uma nova ordem social e o posicionamento da polícia e da burguesia sobre o cotidiano dos trabalhadores urbanos, que utilizavam o botequim como refúgio para os problemas de praxe. Além disso, Trabalho, Lar e Botequim tenta mostrar as contradições de um período em que o surgimento de prédios modernos conviveu com a exclusão social e a insegurança de um poder público municipal que custava a se impor.
        Assim, é através da história do povo, onde os operários, vagabundos e pessoas comuns são protagonistas, ambientada no botequim, como local de refúgio e lazer, que Chalhoub escreve a História Social da Primeira República do Brasil.
        Então, paremos por aqui e vamos pro boteco fazer história...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Televisão e os Valores





          Nos últimos tempos, a televisão tem sentado no banco dos réus como a principal suspeita pelas inversões de valores, violência e descalabros sociais. Defensores afiados em suas críticas contra os programas televisivos tem anunciado a presença de uma sociedade acéfala, incapaz de refletir e analisar os programas assistidos, aceitando compassivamente todas as idéias propostas por esse instrumento de comunicação. Os brados são muitos e chegam a propor, de forma saudosista, programas antigos que não exponham e não deturpam a moralidade. Gritam, os moralistas, que os adolescentes são as principais vítimas, pois são os mais suscetíveis a essa ameaça. Dizem também, que a camada popular, porque ignorante e não dotadas de senso crítico, são vítimas dos interesses megalômanos e capitalistas das grandes corporações e empresas capitaneadas pelas classes ricas. 
          Mas até que ponto tudo isso é correto? Por que atribuir à televisão a culpa por todas as mazelas sociais? Então, a educação, a moralidade, a ética e os valores em geral foram transformados pelos programas de televisão? Eles têm tanto poder assim? E por que não fazer uma análise mais profunda e compreender se os pressupostos elencados acima são realmente validados?
          Essa discussão com toda certeza daria muitos elementos e, por isso, seria demasiadamente longa. No entanto há como discutir, refutar ou aceitar certos pressupostos. Não devemos delegar à televisão toda a dificuldade e problemática presente em nossa sociedade. Não devemos creditar o sucesso da televisão e a situação social, econômica e cultural de uma camada populacional à ignorância e falta de senso crítico. Não devemos generalizar e indicar que todos os programas televisivos são de mau gosto e, por fim, mesmo aceitando que a televisão traz certos malefícios aos adolescentes, ela também é (e poderá ser) um grande instrumento de educação, cultura e lazer. 
          A televisão é um instrumento e, como todo instrumento, seu efeito será de acordo com o uso que se faz dela. Se abandonarmos o pensamento mítico e usarmos de nossa criticidade, poderemos "despersonificar" o aparelho “televisão” e atribuir aos verdadeiros culpados as transformações que vivenciamos. Somos nós que devemos cobrar qualidade e, quando não há, somos nós que devemos nos negar a participar. Agora, participamos quando reconhecemos que algo faz sentido e parte de nossa vida. Oras, se encontramos audiência para a banalidade, será que a banalidade não está presente em nossa vida e fazendo sentido? Será que a televisão não vem apenas refletir o que já está presente em nós. A dimensão criativa da televisão não é tão grande a ponto de transformar toda a sociedade num sopro só. Senão, seria muito fácil "consertar". Então exibiríamos sempre um programa considerado de "qualidade" e a sociedade tornaria uma sociedade de "qualidade". Mas não é bem assim que funciona. Há muito elemento envolvido. É apropriando-se adequadamente de um instrumento que teremos respostas adequadas. E os adjetivos "adequados" e "qualidade" são muito pessoal, subjetivo que não me atrevo a determinar padrões. O que para mim é qualidade, para outros, não.
          Se somos críticos a ponto de reconhecer a baixa qualidade, a violência e as inversões de valores em determinados programas televisivos, devemos ser críticos o bastante para reconhecer que muitos programas trazem neles uma consciência coletiva do que somos, de como estamos e para onde vamos. O que isso indica? Que diante desses programas podemos fazer várias e sérias reflexões sobre a nossa realidade em vez de negar-se única e exclusivamente em assistir.
          Agora, seria de um mau gosto e acrítico culpabilizar a camada popular pelo sucesso dos programas de "baixa qualidade" devido à "ignorância" e falta de "cultura". Quem, ainda hoje, usa esses adjetivos para indicar uma determinada classe ou povo, tem muito que aprender e conhecer melhor esse mesmo povo. Não podemos aceitar esse discurso reducionista e generalizante, pois quem carrega esse discurso tem pouca vivência e desconhece a sabedoria popular e as habilidades forjadas na vida de um ser humano. Como ser humano, não devemos repudiar ou excluir outro humano, diferenciando pelo poder intelectual, pelo grau de erudição ou escolarização. Esse artifício é o mesmo usado para encontrar, (não sei se é o termo adequado) uma raça perfeita. Como crítico, defensor da ética humana, não aceito ouvir um falar tão preconceituoso e cheios de maus ditos.
          Se nossa sociedade não caminha bem, se não temos mais respeito um pelo outro, se nossa cultura decaiu e nossa moralidade extinta, se nossos filhos não sabem mais respeitar os valores que tanto preservamos e se a nossa vida anda muito complicada, não é culpabilizando a televisão que teremos uma resposta. Não teremos enquanto usarmos do artifício da culpabilização. Porque culpando alguém, tira-nos a responsabilidade de se envolver e de, junto, buscar uma solução. Porque culpando alguém ou alguma coisa, podemos, temporariamente, dizer-nos que estamos livre da responsabilidade dos efeitos que a sociedade nos apresenta. E isso não é ser crítico e sim comodista. Não é ser sábio e sim traidor.


domingo, 1 de novembro de 2009

Redescobrindo a Segunda Guerra




Em primeiro de setembro, foram completados setenta anos do início da Grande Guerra e, por isso, meu post é dedicado a esse acontecimento, caracterizado como o pior erro já cometido pela espécie humana.
Hoje em dia, a Segunda Guerra Mundial ainda é um dos temas mais importantes da História da humanidade. A exemplo da relevância e atualidade do tema, a National Geographic produziu um excelente documentário chamado Redescobrindo a Segunda Guerra, que aborda o conflito de uma maneira inovadora, visto pelas lentes das câmeras que filmaram as batalhas, os massacres e o dia-a-dia dos soldados e dos civis.
O documentário aborda desde a subida de Hitler ao poder e ascensão do nazismo na Alemanha até o fim da guerra com a tomada de Berlim, as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasáki e a rendição do Japão. São mostradas as mais importantes batalhas, as estratégias das duas frentes de guerra, a frieza dos nazistas e do exército alemão, a obediência dos generais de Hitler, o Holocausto, etc. Porém, o que mais chama a atenção em Redescobrindo a Segunda Guerra é o convívio da população civil com os bombardeios, com a fome e, sobretudo, com o racismo.
Diferentemente da grande maioria dos documentários sobre Segunda Guerra, a série da Natgeo foi produzida exclusivamente com vídeos feitos durante a guerra e que foram coloridos por computador, dando maior credibilidade às cenas. A realidade substitui a dramatização, tornando o documentário o mais fidedigno possível.
O documentário cria condições para repensarmos sobre o imperialismo e o racismo, que foram os principais fatores que geraram a guerra, e nos permite compreender a História da Segunda Guerra sob o olhar daqueles que vivenciaram o conflito.
Mais que uma série, Redescobrindo a Segunda Guerra é um exercício de reflexão sobre o maior genocídio cometido pelo homem, que deixou mais de 50 milhões de mortos e inúmeros feridos em todo mundo.
Logo abaixo, há uma lista com todos os episódios do documentário, disponibilizado no youtube. Uma bela aula de história produzida pela Natgeo.

Redescobrindo a Segunda Guerra:
http://www.megaupload.com/?d=I8REA8XF

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

É preciso reconceituar o jornalismo





Por Marcelo Salles

Não faz mais nenhum sentido chamar de Jornalismo o que fazem as corporações de mídia. Quem se preocupa com o lucro em primeiro lugar não é uma instituição jornalística. Não pode ser. Quando uma empresa passa a ter como principal meta o lucro, essa empresa pode ser tudo, menos uma instituição jornalística. E aí não importa a quantidade de estrutura e dinheiro disponível, pois a prática jornalística é de outra natureza. Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato. Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia.

Essas podem dispor de toda a grana do mundo, de carro com motorista, dos gravadores mais caros, das melhores rotativas, de alta tiragem e de toda a publicidade que o dinheiro pode comprar. No entanto, se não forem instituições jornalísticas, elas dificilmente se aproximarão da realidade da favela, isso quando não a distorcem completamente.

Existem outros exemplos para além da questão da favela. É o caso dos venenos produzidos pelas Monsantos da vida, que nunca são denunciados pelas corporações de mídia. Ou da retomada dos movimentos de libertação na América Latina, vistos como “ditatoriais”; a perseguição aos movimentos sociais e aos trabalhadores em geral; a eterna criminalização da política, de modo a manter as instituições públicas apequenadas frente ao poder privado. Enfim, você pode olhar sob qualquer ponto de vista que não vai enxergar Jornalismo.

Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Para que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: “somos democráticas”, “únicas com capacidade de fazer jornalismo”, “imparciais” e por aí vai. Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese, é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional: “A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade”.

Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra “dignidade”. 

Mas por que o Jornalismo é tão importante para uma sociedade? Porque hoje, devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação – são praticamente onipresentes nas sociedades contemporâneas –, a mídia assume uma posição privilegiada no tocante à produção de subjetividades. Ou seja, a mídia, mais do que outras instituições, adquire enorme poder de produzir e reproduzir modos de sentir, agir e viver. Claro que somos afetados por outras instituições poderosas, como Família, Escola, Forças Armadas, Igreja, entre outras, mas a mídia é a única que atravessa todas as outras.

Fica claro, portanto, que uma sociedade será melhor ou pior dependendo dos equipamentos midiáticos nela inseridas. Se forem instituições jornalísticas sólidas e competentes, mais informação, dignidade, mais direitos humanos, mais cidadania, mais respeito, mais democracia. Se forem corporações pautadas pelo lucro, ou seja, entidades não-jornalísticas, menos informação, menos dignidade, menos direitos humanos, menos cidadania, menos respeito, menos democracia.

É por isso que eu sempre digo aqui, neste modesto, porém Jornalístico espaço: as corporações de mídia precisam ser destruídas, para o bem da humanidade! Em seu lugar vamos construir instituições jornalísticas. Ponto.

Revista Caros Amigos - Outubro de 2009.


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Machu Picchu 360 Graus

Continuando a série de postagens “empolgação Machu Picchu”, resolvi compartilhar um site muito legal que encontrei na net. Trata-se de um site com imagens em 360 graus de todos os setores do vale sagrado de Machu Picchu. Simplesmente uma aventura fantástica em que se pode conhecer toda a cidade, seus setores, suas construções e até o Wayna Picchu, aquela montanha que sempre vemos ao fundo de Machu Picchu, e tudo isso com a explicação de um guia virtual. O projeto, desenvolvido em parceria com o governo peruano, esboça um passeio pela Cidade Sagrada e nos permite conhecer um pouco mais sobre o modo de vida e as técnicas construtivas dos Incas. Para quem não terá o privilégio de conhecer Machu Picchu pessoalmente como eu, o site ajuda a suprir um pouco a curiosidade (lê-se ansiedade) de conhecer aquele lugar maravilhoso.

Visitem o site: http://www.mp360.com/index.php

Seguem alguns vídeos com imagens do Lago Titicaca, Montanha Chacaltaya, Vale De La Luna, Salar de Uyuni e Machu Picchu (com exceção de Salar de Uyuni, o restante faz parte do meu roteiro). "Hasta la vitória, siempre!"


Mochilão a Machu Picchu


Machu Picchu Parte I


Machu Picchu Parte II

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Machu Picchu: Programa de Índio?


Todos os dias eu me deparo com pessoas perguntando: Por que escolheu visitar Machu Picchu? Por que não vai para o Nordeste? Por que você não conhece o Brasil, que tem tantos lugares bonitos? Já que vai para o exterior, por que conhecer logo a Bolívia e o Peru? Não sei como tantas perguntas impertinentes me acontecem, mas para não parecer chato eu as respondo com certo grau de elegância.

Machu Picchu é, nada mais que, uma das sete maravilhas do mundo moderno, escolhida por milhões de votos em pesquisa mundial realizada pela internet no ano passado, ficando à frente até mesmo das pirâmides de Gizé, no Egito, da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, e da Torre Eifel, em Paris. Além disso, foi uma cidade sagrada da Civilização Inca que serviu de refúgio para imperadores e membros da nobreza inca, principalmente no século XVI, com a chegada dos espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, em Cuzco, a antiga capital inca. O vale sagrado de Machu Picchu permaneceu praticamente intocável ate 1911, quando o arqueólogo e historiador Hiram Bingham redescobriu a região. A cidade fica a 2400 metros de altitude, em meio a Cordilheira dos Andes, e foi construída com pedras que pesam toneladas e eram provenientes de outras regiões. O fato de a cidade ter sido construída com blocos de pedras encaixados perfeitamente sem nenhum tipo de “argamassa” numa região de tão difícil acesso já impressionaria qualquer pessoa. Entretanto, o que mais impressiona é que essas construções foram realizadas há mais de cinco séculos, sem o uso de tecnologia que dispomos hoje, por um povo que detinha avançados conhecimentos em arquitetura e astronomia. Enfim, a magia e beleza proporcionadas por Machu Picchu são incomparáveis.

Conheço algumas regiões do Nordeste brasileiro e posso afirmar que realmente temos um país com inúmeras belezas e possuímos um povo com diversificadas e ricas culturas. Mas, infelizmente, possuímos um governo passivo e impotente e que não cria incentivos para o turismo interno, o que nos leva a conhecer países vizinhos a um custo mais baixo que o próprio Brasil. Conheci Porto Seguro em janeiro deste ano e gastei em 9 dias quase a mesma quantia que irei gastar em 15 dias de viagem pela Bolívia e Peru. Eu vivo no Brasil, então a facilidade para conhecer meu país é muito maior e posso fazer isso em outras ocasiões. Já o vale sagrado de Machu Picchu corre risco de ser fechado para visitação devido ao turismo desenfreado e insustentável que vem sendo realizado na região nos últimos anos. O governo peruano precisa realizar um maior controle de visitação do vale sagrado, pois há turistas irresponsáveis e que depredam a região, que além de ponto turístico é também um importante sítio arqueológico.

A Bolívia e o Peru são dois países que compõem uma multiplicidade de culturas, mas que se resumem a um só continente, um só povo: os latino-americanos. Esses dois países, especificamente, são bem pobres economicamente, mas possuem os maiores índices de mestiços do continente e têm culturas riquíssimas, além de povos altamente hospitaleiros. Os belos lugares que pretendo conhecer, como o Rio Paraguai, Montanha Chacaltaya, Vale de La Luna, Tiahuanaco, Lago Titicaca, Isla Del Sol, Machu Picchu, entre outros, impressionam qualquer um e são de uma riqueza única.

Enfim, conhecer Machu Picchu não é somente conhecer a cidade sagrada dos Incas, é a realização de um sonho, de um objetivo que traço há anos. A magnitude de Machu Picchu é algo inexplicável, o contato com culturas distintas é uma experiência ímpar, respirar os ventos gelados que correm pela Cordilheira dos Andes e desfrutar de belezas naturais é algo que não tem preço.

Espero que seja uma viagem tão magnífica quanto meus sonhos. Vou até providenciar um diário de viagem para poder trocar experiências e postar no blog depois. Por enquanto, aguardo com ansiedade. Quem quer ir comigo?